sábado, 19 de setembro de 2009

Novembro, 3

3 de novembro. Não, não foi o dia em que resolvi criar isso aqui. Com certeza o 3 de novembro deve ser apagado. Já é 4 de novembro, o calor continua o mesmo de ontem, as situações vividas parecem ter sidos enterradas, creio eu, tentei afundá-las, podem até boiar novamente, mas não terão a mesma força. Talvez hoje sentirei o que vivi ontem, talvez hoje, vou poder sentir a maginitude do que presenciei. E hoje também espero esquecer o que vivi no tal dia 3. Mas como assim sentir e esquecer ao mesmo tempo? Isso, isso, isso, mas vou tentar esquecer se não tocar, vou tentar esquecer sem nem sequer lembrar, apaguei. Subi no ônibus, em direção a academia, desci pela frente, como idoso que me sinto e desceu comigo uma estrela, atravessamos juntos, eu olhando pra ela, tendo certeza que um dia ela iria se recuperar. Entrei na piscina, hoje ela não estava tão quente como dias atrás, não reclamei. Nadei, nadei, nadei, não eu não nadei, o dia não me deixou nadar, repeti os mesmos movimentos que sempre achei chatos, usei até prancha, coisa que eu odeio. O cansaço bateu antes do previsto, tive que parar. Olhei pro lado. Olha quem estava na raia oposta? A mesma estrela que tinha descido comigo do ônibus. Agora acompanhada de muita alegria, a esperança estava em seu sorriso, em sua linguinha que quase não parava dentro da boca. Seu olho brilhava, arranjou logo uma amiguinha, com as mesmas peculiaridades. A piscina parou como nunca tinha visto, todos olhavam e minha inerente sensibilidade, que há muitos meses estava desaparecida, voltou. Parei de repetir os movimentos, parei de viver por esse instante, ou vivi tão intensamente que não percebi. As duas brincavam, batiam pernas e mais pernas. Na borda da piscina se encontravam 2 fãs seus, gritavam, riam, torciam por cada mergulho forçado pela instrutora. Eram seus avôs, coincidentemente ou não, as menininhas sofriam do mesmo problema, dividiam a mesma emoção, compartilhavam o mesmo momento, transbordavam semelhante alegria. Parei pra pensar...pensei...pensei... Como eu queria ser uma daquelas crianças, como eu queria ter transbordado de tanta energia, como eu queria pessoas torcendo, como eu queria ter nadado. Senti falta de meus avós, senti falta do símbolo que a gente é obrigado a carregar como topo. De repente tive que personificar minha família na borda da piscina. E analisei profundamente o momento, me senti meio idiota, mas analisei. Ri só, embaixo da água pra que ninguém me notasse. E percebi que tanto eles como elas estavam vivendo o momento, não tinha como adiar o inadiável, não tinham como esperar pelo quatro de novembro. Sim, no mesmo 3 de novembro tão ardido, eles estavam vivendo. E eu sai da piscina, mandei até beijo para as estrelas e elogiei-as para seus fãs. Faculdade, problemas e mais problemas até o dia acabar, mas findou-se, enterrado. Daqui pra frente o novembro será diferente. E sem esperar, agindo.

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