domingo, 22 de novembro de 2009

Por trás da serra existia um casebre, tão simples quanto seu olhar. O cansaço era perceptível por quem a avistasse, pobre azarenta, naquele ermo ninguem a avistaria, não existia sequer uma alma. Se sentiu Macabéa, se sentiu Juliana, sua bota começava a apertar e o sol, rio 40º, começava-lhe a torrar a mente, nada gerava, tudo estava fora da ordem. Sabia que algo diferente estava por acontecer, e o mínimo que esperava era que o desgaste físico lhe atirasse ao fim. - Socorro! exclamou. Mas nem o pó conseguiu levantar. Estava perdida, talvez fosse consequência de uma série de atitudes que tinha tomado na noite anterior, e de repente fora surpreendida com tamanho castigo. Não, não era castigo. Era o reflexo da atribulada vida, da turbulenta rotina, dos incontáveis "nãos". Se sentiu amordaçada, sentou. A única solução era esperar pelo príncipe encantado ou que a sede e a fome a destruissem. Decidiu pela segunda opção. O suor tomava seu corpo, os delírios começavam a surgir... Era manhã de segunda-feira. Quantas homenagens, você nem era digna de tantas. Seu rosto pálido ainda colava nas pessoas a "?", ninguem entendia como aquilo aconteceu. Do outro lado, conseguiu ver as mesmas coisas, as mesmas pessoas que não as via há tanto tempo, os mesmos problemas. Conclui: mundo, mundo cão, onde quer que eu vá sempre terá uma latido me esperando, sempre existirá o medo, nos morderão sempre. E nem tentemos mudar, fomos convocados a viver. Isso é extremamente fascinante.

Um comentário:

Roberta disse...

Fascinante é sermos convocados a viver. Sabe que toda vez que leio você, descubro um pouco de Bruno que a faculdade não me dá tempo, uma sensibilidade de quarto que a gente só encontra quando entra num íntimo tão íntimo, que chega uma hora que não dá pra recusar-se reconhecer o amigo como parte da gente. Obrigada pelo prazer da presença, pelo prazer da leitura e por me permitir penetrar no teu íntimo, sua vida como parte significativa da amizade. Amo você!